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Como o cuidado com a saúde virou um sinônimo de empoderamento e promoção de autonomia do paciente?

Por Dr. Hans Fernando, Diretor Médico na Vitta

Não é nenhuma novidade que a medicina evoluiu muito com o passar dos séculos. Durante a Idade Média, não havia a tradição da medicina científica e as observações andavam lado a lado com a religião, de forma que as crenças do paciente e do médico influenciavam a percepção de eficácia da cura, tanto que frequentemente o remédio físico ficava subordinado à intervenção espiritual. Foi apenas durante o Renascimento que a história da medicina moderna na Europa se desvencilhiou da visão tradicional.

Desde então, os progressos da medicina aumentaram exponencialmente com grandes avanços, incluindo a inserção da tecnologia como uma grande aliada. Esta incorporação tecnológica na saúde seguiu o padrão das mudanças que impactaram a humanidade no século XX.  Mas ainda não acabou: nós vivenciamos a cada dia as inovações que impactam a área médica e, consequentemente, a saúde da população. Em pleno decorrer deste início de século XXI, mantém-se como tendência, da mesma forma que em diversas outras áreas de conhecimento.

O que talvez venha a marcar uma diferença entre a tecnologia desenvolvida na saúde no século XX, com a desenvolvida no início do século XXI, seja o fato de que, no século XXI (na verdade desde o final do século XX) passa a  ganhar força uma visão mais holística da tecnologia com a valorização das “soft technologies”. Este olhar permite o desenvolvimento de toda uma estrutura de conhecimentos e organizá-la de forma concreta, numa tecnologia a ser aplicada, ainda que não materializada num equipamento ou num fármaco revolucionário.  Esta “soft technology”, imaterial, porém concreta, principalmente no comportamento das pessoas, tem potencial impacto clínico superior à maioria das novas tecnologias hoje em desenvolvimento no mundo.

Dentre algumas “soft technologies”, uma chama particular atenção pela sua potencialidade de impacto na população: o empoderamento do paciente. Segundo a organização “European Patients Forum”, o empoderamento do paciente significa promover o desenvolvimento e a implementação de políticas, estratégias, informações seguras e serviços de saúde que capacitem a população a se envolver no processo de tomada de decisão e gestão, de forma que isso aumente a consciência sobre os seus direitos e responsabilidades.

Como mencionado, a informação é muito importante para melhorar a qualidade e a saúde dos pacientes, desde que ela siga alguns aspectos, como credibilidade, clareza, linguagem e comunicação apropriadas. Com isso, é possível empoderar o paciente e torná-lo protagonista do cuidado, além de tê-lo como aliado no tratamento ou prevenção de enfermidades. 

A complexidade dos elementos envolvidos na área deixa evidente a importância da promoção à saúde, que é um processo de educação da comunidade como um todo para participar ativamente no controle da qualidade de vida, inserindo o indivíduo no seu papel de interlocutor constante das busca pelo melhor bem-estar possível. Nesse contexto, o empoderamento da população ganha um destaque enorme, pois favorece essa participação em movimentos sociais autônomos e importantes.

A combinação de “soft technologies” com “high technologies”, potencializa de forma significativa o impacto esperado, na medida em que, por exemplo, a tecnologia digital hoje permite uma individualização do conteúdo a ser trabalhado com cada um dos membros com o objetivo de seu próprio empoderamento.  É a tecnologia digital apoiando e facilitando o engajamento de membros no processo de refletirem sua própria saúde, e da comunidade na qual está inserido, e participar das tomadas de decisão de acordo com seus valores e preferências, salvaguardadas as evidências científicas.

O empoderamento do paciente (e o senso de liberdade no qual este empoderamento cresce) é a revolução tecnológica com mais impacto de mudanças de curto prazo, na forma como cada cidadão enxerga e vive sua saúde, e, como tal, representa uma verdadeira Revolução do Paciente.